Sobre sensualidade

O que é sensualidade? Sempre me pego tentando decifrar essa questão… Às vezes tento racionalizar e encontrar uma equação e outras filosofo buscando razões que expliquem a existência. Até agora só consegui ter certeza que é uma característica, e assim como outras, ela simplesmente existe e ponto, faz parte da personalidade de todos nós; – Mas eu não me acho sensual – você pode dizer, é aí que a coisa começa a ficar complexa, porque essa é uma característica da sua personalidade que depende da percepção do outro para existir ainda que exista independentemente. Falando de fotografia, a percepção em questão é a visão, o olhar. Mas o que o olhar precisa enxergar para evidenciar a sensualidade? Detalhes, pequenos gestos, sutilezas, um conjunto de peculiaridades que eu acredito ser conhecido pelo o que chamamos de “charme” (mojo, bórógódó). É quando chegamos nesse ponto que a coisa vai ganhando ares de misticismo, porque charme é o que encanta, o que causa encantamento, que é sinônimo de feitiço. Age diretamente sobre a razão, interage com o físico e não tem ligação direta nem com um nem com o outro. Uma vez ouvi de um amigo místico que todas as bruxas (de verdade) tem em comum a feiura e o poder de sedução. Disso podemos concluir que apesar de estarmos longe de responder a questão, sensualidade não tem a ver com os atributos do corpo humano . Porém, sensualidade, beleza estética e charme são características, e poder de sedução é o produto da soma, adicione a essa equação inteligência  e aí podemos dizer que o resultado é capacidade de seduzir. Ao construirmos uma foto que seduz o espectador, seja ela uma imagem sensual propriamente dita ou não, nosso objetivo é invadir sua mente, é entregar, de forma harmoniosa (ou não), elementos visuais suficientes para que ele possa no seu imaginário ir além do registro fotográfico. Não entregue mais do que o necessário e esteja sempre um ou dois passos a frente da imaginação dele. Nunca esqueça que a diferença entre o veneno e o antídoto é a dose. Atenha-se aos detalhes e elimine tudo que não for essencial, produza sua cena, dirija sua modelo, mas respeite suas particularidades e esteja sempre aguardando que o imprevisível te convide para dançar, conte sua narrativa, mas não morra abraçado com seus planejamentos. Convicções são cárceres, e a única que eu tenho até agora é que eu não sei definir sensualidade, mas sei identificar e me deixar seduzir.

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