#Qualquer100conto paga!

Vamos falar sobre fotografia e o mercado fotográfico?
Vamos!
(Leia isso com a voz da Jout jout)

Estava eu aqui, no meu ócio criativo (é assim que eu chamo as horas que passo pela internet à toa), quando, de repente, me deparo com uma hastag:

#Qualquer100Conto

13501585_1111192048952096_1615683444388727415_nPensei: genial!
Eu nem sabia direito do que se tratava, mas sabia que era um ensaio fotográfico e que #Qualquer100Conto pagava. Logo em seguida (acho que no mesmo post, perdão pelo meu nível de abstração) tava lá #36poses.
Pensei: genial! [2]

Sério, como ação de marketing eu me senti impulsionado a pagar essa pessoa para fazer fotos minhas, NA HORA! Porém, momentos depois eu lembrei de milhares de discussões sobre a “”prostituição do mercado”” fotográfico (note que usei 2 apas, ok?) e me perguntei: será que qualquer 100 conto paga?

Já falamos sobre como montar uma pequena tabela de preços aqui no IAF e, se você tá chegando agora, recomendo um texto chamado:
você sabia que paga pra fotografar de graça?
Nesse texto eu falo um pouco sobre o desgaste do equipamento, manutenção, investimentos, etc. Para o meu trabalho eu tenho um valor pre estabelecido, de acordo com os meus custos, porém, como nessa vida não existe verdade absoluta, resolvi trocar uma ideia com o fotógrafo Mika Holanda, criador das hastag’s #Qualquer100Conto e #36poses e trouxe algumas questões que achei pertinente sobre o trabalho dele e a famosa pergunta que vocês vão querer fazer: “deu lucro?
Sim, eu sei que vocês são doidos pra saberem isso!

Então, sem mais delongas, segue a pequena entrevista de 5 perguntas que fiz com o rapaz:

 

1-m-d4AL09w7KFQ9N_cB8ecg1 – Como você começou esse projeto? De onde surgiu a ideia?

R: Semestre passando, enquanto cursava a disciplina de mídias digitais, na faculdade (jornalismo), tivemos vários trabalhos práticos envolvendo ações de marketing digital visando as principais redes sociais. Durante esses trabalhos, surgiu em forma de brincadeira, em uma roda de discussão, a piadinha “vou lançar um projeto chamado ‘qualquer 100 conto’ pra me promover no mercado”. Aí o semestre foi correndo e eu fiquei com essa ideia na cabeça. Chegando as férias, resolvi arriscar e soltar na rede pra ver no que dava. A resposta foi imediata, apesar dos meus receios. No dia do lançamento fechei um bom número de trabalhos.


2 – Quando você começou a viabilizar e a realizar os primeiros ensaios, o custo compensava o valor cobrado? Teve alguma dificuldade em relação a isso?13522065_1116444541760180_8952596987752941771_n

R: Bem, praticamente não tive custos por já possuir o equipamento necessário para realizar a empreitada (DSLR + 50mm e, em alguns casos, uma grande angular). E eu sou rato de ônibus. Tanto não tenho problemas em usar o transporte públicos, quanto não tenho medo de rodar a cidade com meu equipamento. Levando em consideração que em Fortaleza a passagem custa R$ 2,75 e eu pago meia (R$ 1,30), há casos que eu sequer pago a passagem de volta por ainda estar no tempo de integração de duas horas. Fica fácil! O gasto maior que eu tenho é de tempo de viagem e na seleção e tratamentos das imagens. Sou designer gráfico há mais de 10 anos e super manjo dos paranauês de Photoshop, mas em relação a fotografia, uso apenas o Lightroom para calibrar luz, balanço de branco e efeitos de filtros. Vim de uma escola onde a foto tem que ficar boa já na câmera, com a fotometria certa e enquadramento desejado. Isso facilita por demais o fluxo de trabalho, visto que descarta a necessidade de horas trabalhando para corrigir imperfeições. Quanto à rugas, marcas de expressão ou semelhantes, o fotojornalismo me ensinou que pessoas são o que são. Retirar certos traços da idade ou marcas da vida, é limar a identidade da pessoa fotografada. Estudar é o lance!

3 – Muitos fotógrafos tentam estabelecer um preço base para não haver uma chamada ”prostituição” do mercado. O que você acha disso?

R: Acho que isso é puro blábláblá. Se fotografo X, que cobra 5 mil em um ensaio, isso não faz dele um fotógrafo melhor do que o Y, que cobra 500 reais. Apenas cada um atente um público, com necessidades diferentes. Se você acha que o valor que está cobrando satisfaz suas necessidades e atende a demanda almejada, sucesso! Tem fotógrafos que querem fazer viagens internacionais de férias todo ano, as custas da fotografia e tem outros que querem só pagar as contas do mês trabalhando naquilo que gostam.

4 – Entendemos que esse projeto #Qualquer100conto é/foi projeto de curto prazo, como uma promoção, você pretende torna-lo em um produto fixo e duradouro com o #36poses ?
R: O #36Poses é uma segmentação do #Qualquer100conto (o valor é o mesmo), apenas eu reduzi o tempo de trabalho e delimitei a quantidade de imagens. A sacada do projeto é uma tática de reposicionamento de mercado. Desde que comecei a me dedicar a vida acadêmica, praticamente deixei de fazer trabalhos comerciais, o que me deixou apagado do mercado. Então a intenção era de montar portfólio e divulgar o trabalho. Com a inflação que vivemos aqui no Brasil, certamente os valores hão de subir, mas essa não é a minha meta. O que eu quero é ampliar o projeto. Talvez o 36p vire 24p mantendo o valor e o 36p seja um pouco mais elevado, mas dê direito a brindes e presentes (tenho várias ideias que estou guardando para o tempo delas).

 

5 – Desde o início do projeto até agora, como tem sido a sua avaliação sobre ele? Teve prejuízo? Lucro? Valeu a pena?
R: Acho que tenho o privilégio de dizer que minha avaliação está 100% positiva. Não simplesmente pela quantidade de trabalhos que tem surgido, mas, principalmente, pelo feedback das pessoas que me convidam. Elogios, agradecimentos, e-mails emocionados que alegram por demais o meu coração. Sem falar nas indicações, que geram crescimento exponencial. Sobre valer a pena: uma parcela significativa dos meus ensaios acontecem na praia e tem uma linda praticamente no meu quintal (10 minutinhos, de carro). Eu já saio de casa com uma toalha nos ombros. Depois do ensaio, é só cair no mar e curtir a brisa! Tirem suas conclusões (rsrs).
6 – Você tem uma mensagem para fotógrafos iniciantes e que ainda estão elaborando seus preços?

R: Acreditem em si e no que vocês fazem. Se desprendam de paradigmas mercadológicos e foquem no que é interessante dentro dos seus sonhos. Se você almeja ter um bag abarrotado de equipamentos prime e andar de carrão, corra atrás! Mas se tua meta é curtir a arte da fotografia e viver do que você gosta, dedique-se. Ganhar dinheiro aos tufos não tem nada a ver com realização profissional. Sucesso profissional é estar em harmonia consigo mesmo, tendo prazer no que se faz. Boa sorte a todos e muita luz!

 

Agora, algumas fotos do projeto #Qualquer100Conto

 

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Maria Martins disse:

    Adorei a entrevista, muito bacana, vou curtir a página do fotógrafo, ele é bem carismático e me parece um ótimo profissional.
    Curti!!!

    Curtido por 1 pessoa

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